Que tipo de ministério agrada a Deus? “Prega a Palavra” (2 Tm4.2). Obediência a este simples mandamento tem de ser o “centro” de toda filosofia de ministério verdadeiramente bíblico. A tarefa do pregador é proclamar as Escrituras e apresentar o seu significado (cf. Ne 8.8). Qualquer outro conteúdo é irrelevante.
Meu pai é um pastor. Ao lhe contar que acreditava estar Deus mechamando para o ministério, ele logo me deu uma Bíblia na qual escrevera: “Querido Johnny, prega a Palavra (2 Timóteo 4.2)”. Aquela frase se tomou um estímulo que compeliu meu coração. Jamais meesqueci daquela instrução simples de meu pai: “Prega a Palavra”. Que mais há para se pregar?
Porém, pregar a Palavra nem sempre é fácil. A mensagem que somos convocados a pregar é ofensiva. O próprio Cristo é uma pedra de tropeço e rocha de escândalo (Rm 9.33; 1 Pe 2.8). A mensagem da cruz é uma pedra de tropeço para alguns (1 Co 1.23; G1 5.11) e loucura para outros (1 Co 1.23). “Ora, o homem natural não aceita ascousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.14). Por que você acha que Paulo escreveu “não me envergonho do evangelho” (Rm 1.16)? Certamente porque há muitos cristãos que estão envergonhados da própria mensagem que são ordenados a proclamar.
Como observamos, Timóteo certamente lutou contra a tentação de se envergonhar. Paulo o admoestou: “Não te envergonhes… do testemunho de nosso Senhor” (2 Tm 1.8). Parece que Timóteo havia se tornado uma alma tímida, exibindo um “espírito de covardia”, em nada parecido com o forte e corajoso apóstolo Paulo. Timóteo era jovem, e algumas pessoas o desprezavam por isso (1 Tm 4.12). Ele sabia muito bem que estar ligado a Paulo era algo perigoso. Proclamar o evangelho publicamente poderia levá-lo à prisão, juntamente com Paulo. No mínimo, ele sabia que incorreria na hostilidade e nas contendas dos judeus que eram antagônicos à mensagem do evangelho.
Além disso, Timóteo aparentemente lutava contra os impulsos das paixões da mocidade (2 Tm 2.22). Ele pode ter sentido que não era tudo o que deveria ser.
Essas eram razões suficientes para causar em Timóteo o desejo de silenciar sua proclamação. Paulo, então, ao ordenar que Timóteo pregasse, estava exigindo que ele agisse contra as suas próprias inclinações e inibições.
E que Palavra Timóteo deveria pregar? Paulo deixou isso bem claro no final do capítulo 3: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça” (2 Tm 3.16). A Palavra a ser pregada era a seguinte: “todo o desígnio de Deus” (At 20.27). No capítulo 1, Paulo havia dito a Timóteo: “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste”! (2Tm 1.13). Ele falava das palavras reveladas nas Escrituras, todas elas. Paulo incentivou a Timóteo, dizendo: “Guarda o bom depósito” (2 Tm1.14). Então, no capítulo 2, ele instruiu a Timóteo que estudasse a Palavra e que a manejasse de forma precisa (2 Tm 2.15). Agora, o apóstolo está ordenando ao jovem pastor que a proclame. Portanto, toda a tarefa do ministro fiel gira em torno da Palavra de Deus — guardá-la, estudá-la e proclamá-la.
Em Colossenses 1, o apóstolo, revelando sua própria filosofia de ministério, escreve: A igreja, “da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus” (Cl 1. 25). Em 1 Coríntios, ele dá um passo além, afirmando: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.1,2). Em outras palavras, o alvo de Paulo, como pregador, não era entreter o povo com um estilo retórico ou diverti-los com esperteza, humor, cenas de novelas ou metodologia sofisticada. Ele simplesmente pregou a Cristo crucificado.
No púlpito, sempre houve aqueles que atraíram multidões, por serem oradores talentosos, terem personalidades dinâmicas, serem manipuladores de massas, interessantes contadores de histórias, políticos populares ou por serem grandes eruditos. Este tipo de pregação talvez seja popular, mas não é necessariamente poderosa.Ninguém pode pregar com poder sobrenatural, se não pregar a Palavra de Deus. Nenhum pregador fiel haverá de “aguar” ou negligenciar “todo o desígnio de Deus”. Proclamar a Palavra na sua totalidade é a vocação do pastor.
Portanto, pregar a Palavra deve ser o âmago de nossa filosofia de ministério. Qualquer outra coisa é substituir a voz de Deus por sabedoria humana. Filosofia, política, humor, psicologia, conselhos populares e opiniões humanas jamais conseguirão realizar o que a Palavra de Deus realiza. Talvez sejam coisas interessantes, informativas, divertidas e, às vezes, úteis, mas não são espiritualmente transformadoras e tampouco são da alçada da igreja. A tarefa do pregador não é ser um canal para a sabedoria humana; ele é a voz de Deus que fala à congregação. Nenhuma mensagem humana vem com a chancela da autoridade divina, apenas a Palavra de Deus. Francamente não entendo os pregadores que estão dispostos a abdicar tão grande privilégio. Preleções moral e palestras motivadoras não constituem substitutos para a Palavra de Deus. Por que devemos proclamar a sabedoria dos homens, quando temos o privilégio de pregar a Palavra de Deus?
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