Números 4.3 afirma com clareza: “Contem todos os homens [levitas] entre trinta e cinqüenta anos, aptos para servir, para que façam o serviço da Tenda do Encontro”. Só estaria apto para o trabalho “na Tenda do Encontro”, i. e., no auxílio aos sacerdotes no transporte e manutenção do mobiliário e das vasilhas sagradas do tabernáculo, os que tivessem pelo menos trinta anos de idade.
Em Números 8.24, no entanto, está registrado o seguinte, a respeito do serviço dos levitas no santuário: “Isto diz respeito aos levitas: os homens de vinte e cinco anos para cima, aptos para servir, tomarão parte no trabalho que se faz na Tenda do Encontro”. Jamieson (Jamieson-Fausett-Brown, Commentary, ad loc.) sugere o seguinte: “Eles iniciavam o trabalho aos 25 anos de idade, como aprendizes, para obter experiência, sob a supervisão e direção de seus irmãos mais velhos; aos trinta anos, eram admitidos ao trabalho integral, ao desempenho pleno de suas funções oficiais”. Tal inferência, tirada de uma cuidadosa comparação entre as duas passagens, parece razoabilíssima. pela analogia com o período de treinamento pelo qual passam os candidatos para o ministério sagrado antes de receberem a ordenação, com o direito de batizar ou desempenhar funções exclusivas do ministro, como cerimônias de casamento e outras.
Durante cinco anos, os levitas mais jovens tinham a oportunidade de observar os procedimentos e princípios seguidos por aqueles que já estavam totalmente engajados nas responsabilidades sacerdotais — o método adequado de movimentar um castiçal, a mesa dos pães da proposição, os dois altares, e assim por diante —, bem como a disposição correta de vasos e jarras, colheres e incensários, azeites sagrados e água da purificação e tudo o mais. Também havia as tarefas rotineiras, pouco agradáveis, relacionadas à manutenção do tabernáculo e o atendimento aos que vinham adorar a Deus pelo culto e pelo sacrifício, diante do altar. Parece que o jovem Samuel, ainda que fosse um menino de muito menos de 25 anos, estava empenhado na realização dessas tarefas, tendo recebido ainda algumas responsabilidades particulares como empregado da casa de Eli (1Sm 3.1). Em outras palavras, havia muitos tipos de serviço, divididas em muitas graduações, a serem realizados pelos levitas menores, até que tivessem idade suficiente para iniciar o aprendizado oficial aos 25 anos.
Quanto aos levitas a que Esdras se refere (Ed 3.8), dois fatos precisam ser cuidadosamente levados em conta. O primeiro é que tanto em Esdras 2.40 quanto em Neemias 7.43, o número de levitas envolvidos no retorno da Babilônia era de apenas 74. Havia uma quantidade substancialmente maior de guardadores dos portões e serviçais do templo e de sacerdotes que decidiram voltar para Jerusalém, os quais chegavam a 4.289 indivíduos (Ed 2.36-39). Portanto, havia falta de levitas, pelo que seria apropriado fazer com que os menores de 25 (entre vinte e 25 anos) fossem cooperar, a fim de que houvesse um número adequado de levitas e supervisores dos edificadores engajados na restauração do templo.
O segundo fator que devemos notar é que tais levitas na verdade não se empenhavam no ministério do sacrifício e do culto; estavam simplesmente envolvidas no projeto de edificação, como conselheiros ou feitores. Ainda não havia santuário, pelo que não podiam oficiar nos holocaustos; por isso, dificilmente se poderia levantar a questão de tais levitas não terem ainda 25 anos. Assim, vemos não existir realmente qualquer discrepância ou contradição com respeito aos três limites de idade citadas nas passagens acima, visto que cada um se aplica a um nível diferente de serviço e autoridade.
Um comentário:
Paz ,graça e misericórdia!!!
Muito boa a e explicação.
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