No âmago da filosofia da “igreja amigável”, movida a marketing, está o objetivo de oferecer às pessoas o que elas desejam. Os que advogam essa postura são bastante honestos quanto a isso. Em Artigos anteriores, eu disse que a satisfação do cliente é o objetivo declarado desta nova filosofia. Um dos principais livros acerca do ministério norteado por marketing afirma: “Isto é o que significa marketing na igreja: apresentar o nosso produto (relacionamentos) como uma solução para as necessidades das pessoas”.
“As necessidades sentidas” funcionam como um orientador para o plano moderno de marketing na igreja. E a ideia equivale a um princípio elementar de vendas: satisfazemos um desejo existente em lugar de persuadirmos as pessoas a comprarem o que não querem.
Avaliar com exatidão as necessidades das pessoas é, portanto, considerada uma das chaves para o crescimento no movimento moderno de crescimento de igrejas. Ensina-se aos líderes da igreja a pesquisarem os “consumidores” em potencial, para se descobrir o que estes procuram em uma igreja — e, então, oferecerem exatamente isso. Informação demográfica, pesquisas acerca da comunidade, pesquisas de porta em porta e questionários respondidos pela congregação são as novas ferramentas de trabalho. A informação obtida dessas fontes é considerada essencial para se elaborar um plano de marketing funcional. Pastores, hoje em dia, ouvem que é impossível alcançarmos pessoas eficazmente sem utilizar essa metodologia.
Pior ainda, parece que as “necessidades emocionais” das pessoas são levadas mais a sério do que as (não percebidas, mas verdadeiras) deficiências espirituais sobre as quais falam as Escrituras. “Necessidades sentidas” inclui assuntos como solidão, medo do fracasso, dependência, auto-imagem negativa, depressão, ira, mágoas e outros problemas semelhantes voltados para o interior da pessoa. Algumas dessas necessidades são genuínas, outras são criadas pela psicologia de vendas. Dizem-nos que esses problemas estão por trás dos vícios com drogas e sexo e por trás de dezenas de outras síndromes. Enquanto o problema verdadeiro — a raiz de todos esses males, é a depravaçãohumana, um assunto que é cuidadosamente evitado (embora dificilmente seja negado publicamente) nos ensinamentos da “igreja amigável”.
Pastores não são mais instruídos a declarar às pessoas o que Deus requer delas. Em lugar disso, são aconselhados a descobrir quais são as exigências das pessoas e fazer o que for necessário para satisfazer essas necessidades. O público é reputado como soberano, e um pregador sábio “haverá de moldar sua comunicação de acordo com as necessidades do povo, de forma a obter a resposta desejada”.
O efeito de tal filosofia é evidente; os púlpitos estão cada dia mais repletos de “pastores que buscam o povo”. Além disso, as Escrituras são sobrepujadas por um plano de marketing que se toma um guia definitivo para o ministério. Um dos livros acerca de marketing na igreja diz o seguinte: “O plano de marketing é a bíblia do jogo de marketing; tudo que acontece na vida do produto ocorre porque o plano assim o quer”. Aplicado ao ministério da igreja, isso significa que a estratégia humana, e não a Palavra de Deus, torna-se a fonte de toda atividade eclesiástica e o padrão pelo qual o ministério é avaliado.
Esta maneira de abordar o ministério é tão desvirtuada e tão grosseiramente antibíblica, que me surpreendo ao ver tantos pastores deixarem-se influenciar por ela. Entretanto, já se tomou uma filosofia extremamente influente. Milhares de igrejas reformularam por completo seus ministérios e agora estão tentando satisfazer as massas.
Aliás, o movimento da “igreja amigável” adquiriu tal amplitude que muitos jornais seculares já perceberam a tendência. Um artigo escrito no Los Angeles Times relatou como uma megaigreja surgiu a partir de uma pesquisa direcionada por um “estudo de marketing” feito de porta em porta, quando essa igreja ainda não era organizada oficialmente. Apropriadamente, o título do artigo era “Pesquisa de Consumidor dá Forma à Igreja”. A história descreve como o pastor “elaborou o programa da igreja de modo a satisfazer as necessidades e reclamações que as pessoas registraram na pesquisa feita de porta em porta”. Naturalmente, o artigo mencionou que a mensagem desse pastor é curta, branda, positiva e tópica, com títulos tais como “Mudando o Sonho Americano”. Ele tempera seus pequenos sermões, utilizando citações de jornais e revistas sobre finanças.
Outro jornal do sul da Califórnia escreveu um artigo intitulado “Marketing the Maker”, ou seja, “Comercializando o Criador”. Ele descreve várias igrejas locais que puseram em prática a filosofia do direcionar-se pelo marketing e que parecem estar crescendo assustadoramente. Certa igreja “comprou um espaço de tempo em algumas emissoras de rádio especializadas em rock, a fim de divulgar seu anúncio, que parecia mais um convite para se freqüentar um clube social do que para se congregar em uma igreja. E, no jornal, os anúncios destas igrejas não foram colocados na seção de religião, e, sim, na de entretenimentos”.
É claro que não há nada de errado com o fato de uma igreja anunciar suas atividades na seção de entretenimentos de um jornal. Mas é errado uma igreja prometer e realizar um “culto” que não passa de mero entretenimento. E é precisamente isso que muitas igrejas estão fazendo. “Uma celebração, e não um culto”, é como uma dessas igrejas promove suas reuniões, que acontecem adequadamente em um cinema.
Uma dessas “igrejas” conseguiu levar a ideia à sua conclusão lógica — “um culto de igreja criado para a televisão. Nosso santuário não tem bancos… nosso santuário é a televisão do espectador”. Criado pelo fundador da Home Shopping NetWork, o programa “Adoração” é um “culto cristão ininterrupto”, transmitido durante 24 horas por dia. Pergunta-se: Como pode uma “igreja” assim oferecer uma comunhão significativa? Os fundadores do “Adoração” sentem que isso está sob controle: “No programa ‘Adoração’, a comunhão é uma parte importante de cada culto, mas isso também é realizado de forma singular, através dos modernos meios de comunicação… ‘Adoração’ emprega a última palavra em tecnologia telefônica digital, que permite aos espectadores de todas as partes do país entrarem rapidamente em contato com um parceiro de comunhão”.
Dessa forma, o “cliente” atinge a soberania plena. Se ele não gosta do que vê, é só desligar o televisor. Se não está apreciando a “comunhão”, precisa apenas desligar o telefone.
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