Isto não significa que a pregação tenha sido, de todo, abandonada. Algumas dessas “igrejas amigáveis” têm ao menos um culto semanal (geralmente no meio da semana) onde o sermão é o enfoque central. Porém, até mesmo nessas reuniões, ao invés de ser bíblico, freqüentemente o estilo é psicológico ou motivador. Acima de tudo, coloca-se a ênfase na facilidade de aceitação. Há pouco tempo li uma grande quantidade de artigos de jornais e revistas que tratavam do fenômeno da “igreja amigável”, e um pensamento comum começou a manifestar-se. Apresento a seguir algumas citações daqueles recortes, que descrevem a pregação em uma “igreja amigável”:
“Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas.”
“Os cultos em nossa igreja (nome da igreja em questão) trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los.”
“Como acontece com todos os pastores, a resposta (deste pastor) é Deus — mas ele O menciona apenas no final e o faz sem muita seriedade. Nada de discursos; nada de altos brados. Nem fogo, nem enxofre. Ele nem usa a palavra que começa com a letra ‘i\ Nós chamamos isto de evangelho light. É a mesma salvação oferecida pela velha e boa religião, antiga mas com um terço a menos de culpa.”
“Aqui os sermões são relevantes, otimistas e, o melhor de tudo, curtos. Você não ouvirá muita pregação a respeito do pecado, da condenação e do fogo do inferno. A pregação aqui nem se parece compregação. É uma conversação sofisticada, polida e amigável. Quebra todos os padrões estereotipados.”
“O pastor está pregando mensagens bastante atuais… mensagens de salvação, mas a ideia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação. ”
“Nosso objetivo, diz o pastor, é que as pessoas entrem pela porta da frente e, então, tirem de suas mentes aquela ideia do pregador que transpira, afrouxa a gravata, pressiona as pessoas usando a Bíblia, que grita e esbraveja acerca de perecer no inferno por toda a eternidade.”
Portanto, as novas regras são: seja esperto, informal, positivo, sucinto e amigável. Jamais afrouxe a gravata. Não deixe o auditório ver o seu suor. E jamais, jamais, use a palavra “inferno”.
A maior parte destas citações representa o que observadores externos têm dito acerca das “igrejas amigáveis” e não como essas próprias igrejas veem seus ministérios. Quase todas diriam com veemência que não menosprezam ou negam qualquer ponto da doutrina evangélica. Aliás, o “best-seller” de George Barna, intituladoUser-Friendly Churches (Igrejas Amigáveis) inclui o seguinte desagravo, mencionando-o duas vezes: “Nenhuma das igrejas bem-sucedidas descritas neste livro está interessada em ser amigável no sentido de comprometer o evangelho ou a fé histórica da igreja, tão-somente para se tornar aceitável à época”.
Mas, de fato, a verdade das Escrituras está sendo comprometida, ao ser descentralizada e quando, para forjar uma amizade com o mundo, verdades duras são evitadas, diversões insípidas tomam o lugar da sã doutrina e uma verdadeira ginástica semântica é utilizada a fim de evitar a menção das verdades severas das Escrituras Sagradas. Se o objetivo é fazer sentir-se bem aquele que está à procura de algo, porventura isso não é incompatível com o ensinamento bíblico acerca do pecado, do juízo, do inferno e de vários outros assuntos importantes? Assim, por intermédio dessa filosofia a mensagem bíblica é irremediavelmente distorcida. E o que dizer sobre o crente que precisa ser alimentado?
Por favor, entendam bem, pois não estou afirmando que os pregadores precisam transpirar, mostrarem-se rudes, bombásticos e extravagantes, gritando, bradando, esmurrando o púlpito e dando socos na Bíblia. Mas encaremos o fato que, exceto em alguns círculos mais restritos de grupos ultra-fundamentalistas, tais pregadores são raros nos dias de hoje. A imagem de um pregador esmurrando a Bíblia se tornou um estereótipo comum usado com bastante frequência contra aqueles que simplesmente creem que a proclamação objetiva e direta da verdade é mais importante do que fazer com que o “não-frequentador-de-igreja” sinta-se em casa.
A fraqueza da pregação em nossos dias não brota de lábios excêntricos e frenéticos que discursam sobre o inferno; resulta de homens que comprometem a mensagem e temem proclamar a Palavra de Deus com poder e convicção. A igreja certamente não manifesta uma superabundância de pregadores sinceros e objetivos; de fato, ela parece repleta de ministros que adulam os homens (cf. G11.10).
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