Uma Filosofia Falida (Pragmatismo)


Você percebe como esta nova filosofia necessariamente corrompe a sã doutrina? Descarta o próprio método de Jesus — pregar e ensinar —   como os instrumentos primordiais do ministério, substituindo-os por metodologias completamente vazias de conteúdo. Ela existe independentemente de qualquer credo ou canon. Aliás, evita dogmas ou convicções fortes, considerando-os como divisivos, indecorosos ou impróprios. Rejeita a doutrina como algo acadêmico, abstrato, estéril, ameaçador ou simplesmente não-prático. Em vez de ensinar o erro ou negar a verdade, ela faz algo bem mais sutil e igualmente eficaz do ponto de vista do inimigo. Não se preocupa com o conteúdo. Não ataca a ortodoxia frontalmente, mas presta culto à verdade apenas da boca para fora, enquanto mina, em silêncio, os alicerces da doutrina. Em vez de exaltar a Deus, esta filosofia deprecia as coisas que são preciosas para Ele. Nesse sentido, o pragmatismo se apresenta como um perigo mais sutil do que o liberalismo que ameaçou a igreja na primeira metade deste século.

O liberalismo atacou a pregação bíblica. Um dos vultos liberais de maior influência nos Estados Unidos, no início do século XX, foi Harry Emerson Fosdick, que escreveu: “Pregadores que tomam textos da Bíblia e depois apresentam seu contexto histórico, seu significado lógico no contexto, seu lugar na teologia do escritor, anexados a reflexões práticas, estão empregando mal a Bíblia”. A mesma preocupação pragmática que invadiu o evangelicalismo de nossos dias levou Fosdick a seu ódio pela exposição bíblica:
Com certeza, poderia qualquer outro procedimento estar mais predestinado à monotonia e à futilidade? Aliás, quem poderia afirmar que pelo menos um, dentre cem, dos ouvintes estaria preocupado com o que Moisés, Isaías, Paulo ou João queriam dizer naquela passagem específica ou que tenha vindo à igreja profundamente interessado em tais versículos? Ninguém que conversa com o público presume que o interesse vital das pessoas está centralizado no significado de palavras ditas há dois mil anos.
A sugestão de Fosdick foi que os pregadores deveriam começar pelas necessidades sentidas do auditório: “Que eles não concluam, e, sim, comecem pensando nas necessidades vitais do auditório; e que todo o sermão seja organizado em torno de um esforço construtivo para atender estas necessidades”.
“Tudo isso manifesta bom senso e boa psicologia”, escreveuFosdick, apelando ao pragmatismo como justificativa. “Todo mundo usa esse estilo, desde professores a anunciantes de alto nível. Por que tantos pregadores persistem em um costume antiquado e negligenciam isso?”
Trata-se exatamente da sabedoria convencional da filosofia da “igreja amigável”, norteada por marketing. Começa levando em  conta as necessidades sentidas e aborda-as por meio de tópicos. Se de algum modo as Escrituras são utilizadas, é apenas para ilustração —     precisamente como advogou Fosdick. É simplesmente uma acomodação a uma sociedade viciada em auto-estima e entretenimento. A diferença é que agora este conselho provém de dentro do evangelicalismo. Segue o que está na moda, mas pouco se preocupa com o que é verdadeiro. Encaixa-se bem ao liberalismo, de onde procede. Porém, está totalmente fora de lugar entre os cristãos que professam crer que as Escrituras são a Palavra de Deus inspirada.
Um recente “best-seller” evangélico alerta os leitores a se colocarem de prontidão contra pregadores cuja ênfase está nointerpretar as Escrituras e não no aplicá-las. Espere um pouco. Isto é um conselho sábio? Não, de modo algum. Não existe o perigo da doutrina ser irrelevante; a verdadeira ameaça é a abordagem não- doutrinária em busca de relevância sem doutrina. O cerne de tudo que é verdadeiramente prático encontra-se no ensino das Escrituras. Nãotomamos a Bíblia relevante; ela o é, inerentemente, pelo simples fato de ser a Palavra de Deus. Afinal, como pode qualquer coisa que Deus diz ser irrelevante (2 Tm 3.16,17)?

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