Para você que quer afiar seu dom de ensino, quer ele seja um dom de nível máximo quer esteja em algum lugar mais abaixo em sua combinação de dons, você está desejando exatamente o que Paulo encorajou Timóteo a procurar: “Seja diligente gente nessas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso” (l Tm 4.15). Paulo disse a Timóteo que trabalhasse em melhorar sua pregação. Você, por sua vez, pode estar perguntando: “Como eu faço isso? Como eu melhoro a minha pregação?”. Aqui estão algumas idéias que se mostrarão muito úteis na prática.
Ouça a boa pregação e o bom ensino
Em quase toda disciplina, se você quer melhorar, precisa observar outros. Se você quer desenvolver seu modo de jogar golfe, precisa observar golfe. Estude vídeos que mostrem pessoas fazendo correta e eficazmente os movimentos da tacada. Eu participo de competições de barco à vela. Assim, mesmo que eu não esteja em um barco participando de uma competição, assisto a outras pessoas competindo, de forma que possa observar suas habilidades. Observo atentamente como eles preparam suas velas e como sua equipe trabalha, e observo suas táticas. A maneira de nos tornarmos melhores em qualquer coisa é nos colocarmos em uma situação em que podemos obter mais informação a respeito do que estamos tentando melhorar.
A maioria de nós tem dois ou três comunicadores que realmente nos inspiram. Nós dizemos: “Rapaz, eu gostaria de falar um pouco mais como ele”, ou: “Um pouco mais como aquele”. Faça mais do que só querer. Obtenha um catálogo dos vídeos deles. Leia coisas a respeito deles. Vá ouvi-los quando puder. E em vez de ouvi-los despreocupadamente, leve suas luvas de trabalho para ouvi-los.
Faça algumas perguntas claras. Por que aquela introdução funcionou tão bem? Por que aquele ponto foi compreendido com tanto poder? O que havia na estrutura da mensagem que a tornou tão memorável?
Na minha opinião, o recém-falecido E. V. Hill foi um dos melhores pregadores que já existiram. Uma vez eu assisti a um vídeo dele, admirando o seu senso de ritmo. Ele chegou a uma parte muito sensível em sua pregação, fez uma pausa e depois caminhou vagarosamente em volta do púlpito. Deixou que tudo ficasse em completo silêncio naquele lugar. Então, com uma voz mais baixa, disse algo com grande emoção e bondade. Foi um desses momentos de Deus.
Foi útil, para mim, assistir a isso porque meu temperamento é muito como uma metralhadora. Minha tendência é dizer: “Certo, aqui está o ponto. Agora vamos!”. E se eu não estiver gastando tempo para observar cuidadosamente os grandes pregadores e mestres, acabarei moendo muitas pessoas com minha intensidade. Preciso aprender a fazer pausas, alterar o nível de entusiasmo e variar a intensidade do que faço.
Alguns pregadores são grandes contadores de histórias; eu simplesmente quero chegar ao ponto do que estou dizendo. Assim, quando conto uma história que é cheia de humor em potencial, capaz de colocar um pouco de humor no lugar, normalmente estou tão ansioso para chegar ao desfecho da história que falho em tomar o tempo necessário para embelezá-la.
John Ortberg recentemente contou uma grande história a respeito dele e o dr. B (dr. Gilbert Bilezekian) que acabaram viajando em um mesmo voo. O dr. B tinha conseguido um upgrade, mas John estava no fundo do avião. Ele se divertiu com aquela história por alguns minutos, extraindo um grande humor dela com comentários como: “Eu estava comendo uma substância parecida com galinha no fundo enquanto o dr. B estava jantando uma refinada comida chinesa”. O ponto é este: John se divertiu bastante com essa história e, ao mesmo tempo, chamou a atenção para um ponto de peso. Ela proporcionou a oportunidade para o humor. Assim, ouça grandes pregadores e mestres não com a intenção de imitá-los, mas, antes, para aprender lições que possam melhorar sua própria pregação e ensino.
Esta próxima afirmação é tão óbvia que hesito até mesmo em fazê-la. Desenvolva seu próprio estilo singular e único. Embora você queira aprender com grandes pregadores, não queira copiar o estilo deles.
John Maxwell e eu damos seminários de comunicação por todo o país e temos dois estilos muito diferentes. John usa um suporte para partitura, um banquinho e precisa de duas ou três coisas para beber em volta dele. Ele se mistura com as pessoas na plateia, anda pelos corredores, esconde-se atrás de plantas, atira coisas e faz perguntas às pessoas. O seu estilo é tão diferente do meu que ele se diverte caçoando de mim a respeito disso. Uma vez ele pegou um pedaço de giz e desenhou uma linha em frente ao púlpito. Ele disse: “Eu dou cem dólares para quem ultrapassar aquela linha”. Nós rimos a respeito disso porque nossos estilos são muito diferentes. Mas quer saber? Estou confortável com o meu; e ele, com o dele. Existem coisas que podemos aprender um com o outro, mas não deveríamos tentar copiar um ao outro.
Uma prática útil que utilizamos na Willow Creek é fazer tempestades de ideias com outras pessoas. As pessoas ficariam chocadas se soubessem o quanto externamos nossas ideias aqui. Se estou empacado com alguma coisa, eu vou para a sala da Nancy, a do Lee ou a do John. E digo: “Estou trabalhado nessa mensagem. Eu poderia chegar a esse ponto desse jeito ou daquele. O que você acha?”. Grandes comunicadores fazem borbulhar ideias sobre comunicação recreativa- mente. Quando você obtém a oportunidade de fazer isso, não pense que precisa sentar em sua mesa em total isolamento. Diga: “Eu vou pregar sobre esse tema ou texto. O que você gostaria de ouvir a respeito dele?”.
Nós frequentemente fazemos isso com ilustrações também. Nós apenas perguntamos a alguém: “Alguma vez já aconteceu algo extraordinário com você que eu poderia usar como ilustração?”. Isso é uma grande fonte de histórias novas e revigorantes e somos cuidadosos em dar crédito quando contamos uma dessas histórias. Então se lembre, você não está nisso sozinho. Ouça a mensagem e o ensino de grandes comunicadores.
Entenda a dinâmica da urgência
Uma segunda maneira de se desenvolver como comunicador envolve entender a dinâmica da urgência. Há muitos anos, quando eu estava tentando dar um passo em direção a melhorar minha própria pregação, ouvi cerca de quinze ou vinte sermões diferentes enquanto perguntava: “Quais são os denominadores comuns de grandes pregações e ensinos?”. De forma clara, o que emergiu no topo foi essa percepção de urgência. Fiquei repetidamente perplexo diante de como a pregação dessa pessoa estava sendo expressa como se fosse a questão mais urgente do planeta. Assim, eu comecei a analisar isso.
Se a pregação é feita da maneira correta, você vive com um texto ou um tópico por uma semana e ele cria energia em seu espírito. Você pensa sobre ele, fala com pessoas sobre ele e pede que Deus o unja. Assim, no momento em que você estiver pronto para pregar, esse assunto é o item mais urgente em seu espírito. Se tiver se preparado propriamente, existe uma urgência vinda de você que não é inventada. Isso se torna comunicação convincente.
Jesus era mestre nisso. No final do Sermão do Monte, ele diz: “Vocês todos devem saber que há uma tremenda tempestade no horizonte”. Isso acorda as pessoas, não acorda? Elas estão olhando para o céu, tentando achar as primeiras nuvens. Ele continua: “Agora, vocês podem pegar as palavras que eu acabei de dizer a vocês e desconsiderá-las. Isso seria como construir uma casa na areia. Quando uma tempestade vier, sua vida será completamente arrasada. Ou você pode pegar as palavras que acabei de dizer e construir sua vida sobre elas. E quando essa tempestade atingir sua vida, você vai permanecer em pé. De qualquer modo, você pode contar com este fato: há uma tempestade vindo” (veja Mt. 7.24-27).
Bem, as pessoas sabem que você está falando sério quando você prega com uma urgência dessas. Acho que grande parte do sucesso de Billy Graham tem sido sua urgência. Não a invente. Viva com um texto e deixe-o crescer em seu espírito até que você esteja se sentindo totalmente tomado pelo tema. Aí você está preparado para pregar.
Esforce-se por clareza
Em terceiro lugar, se você quer melhorar sua comunicação, esforce-se para ser claro. Quando treino professores por aqui, sempre faço duas perguntas a eles: “O que você quer que eles saibam? O que você quer que eles façam?”. Se ele não puder responder a essas duas perguntas imediatamente, digo: “Você não está preparado. Não castigue o seu público com essa mensagem”.
Assim, muita pregação hoje em dia é um movimento sinuoso. E uma caminhada por seis ou sete canteiros de tulipas, colhendo uma pequena flor aqui e outra ali. Você chega ao fim e não sabe o que o pregador queria que você soubesse. Você precisa passar pelo teste da clareza.
Você também precisa dedicar tempo para a criatividade. E tão fácil para nós cairmos na rotina e nunca mudarmos o nosso estilo. Nós estimulamos nossos professores na Willow Creek a deixar de lado a abordagem de dar tudo bem mastigado a fim de sacudir as coisas de vez em quando. Nós os encorajamos a usar um estilo em que se fazem perguntas ou se usam alguns artefatos, em vez de apenas ficar em pé encostado no púlpito com uma Bíblia na mão. Descobrimos que os artefatos são notavelmente úteis. Uma vez, eu estava falando a respeito das pressões da vida e levei um dispositivo químico completo com um bico de Bunsen. Quando eu acendi aquele bico de Bunsen e coloquei uma proveta sobre ele e as coisas começaram a ferver, as pessoas estavam realmente ouvindo — tudo porque eu usei um pequeno artefato.
Em uma outra ocasião, eu estava me preparando para ensinar sobre a ternura de Deus. Tive a ideia de pregar sobre a passagem que diz: “[Deus] não quebrará o caniço rachado”. Assim, consegui um caniço rachado (um galho) e o segurei enquanto dizia: “Alguns de vocês se sentem hoje como esse galho rachado”. Eu falei com eles a respeito da ternura de Deus enquanto segurava aquele pequeno artefato.
Quando visitei os escritórios e casas de nosso pessoal nas semanas seguintes, muitos tinham um galho rachado em sua escrivaninha ou a tinham prendido a sua geladeira. Foi maravilhoso. As pessoas se lembram desse tipo de coisa.
O fator suor
Um quarto elemento no aperfeiçoamento de sua pregação é o que eu chamo de o fator suor. A maior parte das nossas pregações melhoraria muito se nos disciplinássemos a acrescentar uma hora ao nosso preparo. Muitos pregadores não acreditam que o trabalho entra na equação para uma grande pregação. Mas você não se torna bom em nada a não ser que tenha pago o preço do suor. Você simplesmente precisa pagá-lo. E quando você descobre o quanto precisa pagar para o nível de qualidade aceitável, então aquele preço precisa se tornar uma condição em seu horário.
Honestamente, isso requer de mim um mínimo de vinte horas por semana para elaborar uma mensagem aceitável. Assim, esse tempo se torna absolutamente inegociável na minha agenda na semana em que eu tenho de pregar. E se tenho um funeral ou sou chamado para fora da cidade para alguma emergência, sou conhecido como alguém que chega ao escritório às três e meia da manhã porque sei que isso requer vinte horas de meu tempo. Eu não posso burlar essa regra de qualidade. Se eu invisto o tempo no preparo, Deus geralmente me dá a mensagem. Mas o suor é essencial.
Avaliação
Em seguida, a avaliação representa uma enorme parte do processo de aperfeiçoamento para todos os comunicadores em crescimento. Se eu cresci como um comunicador nos últimos vinte e cinco anos, muito disso vem de avaliações que peço após cada pregação que faço. Toda vez que eu prego uma mensagem na Willow Creek, tenho meia dúzia de pessoas que a avaliam. Temos um sistema, e dependo dessas pessoas. Não peço simplesmente a qualquer um para fazer isso, porque alguns usariam isso como um machado. Convido pessoas que me amem, mas amem a Deus e essa igreja, para que me deem o seu retorno honesto. O que funcionou bem? O que precisa ser melhorado? Sou específico com meus avaliadores. “Não me diga: ‘O ponto três foi horrível’, porque isso não me ajuda. Se acha que o ponto três foi fraco, então me diga como poderia melhorá-lo”. Normalmente tenho uma hora até que eu pregue a mensagem novamente e talvez possa integrar um pouco desse retorno na vez seguinte que eu a pregar.
Frequentemente, sou tentando a cortar caminho quando estou preparando uma mensagem. Mas aí eu penso: Se eu cortar esse caminho, o advogado Russ Robinson, um dos meus avaliadores, vai me matar, e co?n razão… se eu fizer isso. Eu sei que aquele caminho cortado será o primeiro na lista dele. Assim, eu não posso fazer isso.
Se eu ficar tentado pegar um pequeno atalho teológico, o dr. B estará me esperando do outro lado. Assim, eu penso: Rapaz, eu não quero enfrentá-lo. E se perco a oportunidade de ser um pouco mais engenhoso em minha apresentação, John sempre me mostra a forma como eu poderia ter retomado algo no final que a teria tornado uma coisa mais tocante. Há tantas maneiras de se beneficiar e crescer a partir de uma avaliação bem elaborada.
Viva em união com Jesus
Finalmente, eu simplesmente não posso terminar sem dizer isto: Viva em tal união com Jesus Cristo que seu poder e sua força fluam pela sua pregação. Isso soa como se não precisasse ser dito, mas nada pode substituir essa verdade. Em termos simples, aqui está como isso funciona. Ore que nem louco. Confie que nem louco. Espere Deus trabalhar. E depois lhe agradeça quando ele o fizer.
Para saber mais sobre o que Bill Hybels acha da avaliação, veja o capítulo 193, “A pregação bem focada”.
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